quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Cinema brasileiro



Número de lançamentos de filmes brasileiros bate recorde em 2017





  • 29/01/2018 23h23
  • Rio de Janeiro
Paulo Virgílio - Repórter da Agência Brasil
O ano passado foi marcado por um recorde de lançamento de filmes brasileiros – 158 títulos, o que representa um aumento de 11,3% em relação a 2016, quando chegaram às telas 142 novos filmes nacionais. O número de lançamentos é o mais alto da série histórica, iniciada em 1995. A informação consta do Informe de Salas de Exibição de 2017, divulgado hoje (29) pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O informe revela, no entanto, que 2017 foi um ano que também registrou uma queda expressiva do número de espectadores de filmes nacionais, se comparado ao ano de 2016. Devido a diminuição significativa de 42,8%, o aumento de 6,4% no público de filmes estrangeiros não foi suficiente para expandir o público total em 2017, que somou 181,2 milhões de espectadores, em um recuo de 1,7% em relação a 2016 (184,3 milhões).

Saiba Mais
Em contraponto a essa queda, os filmes estrangeiros venderam quase 10 milhões de ingressos a mais do que no anterior - 163,7 milhões de ingressos vendidos para os filmes estrangeiros em 2017, contra 153,9 milhões em 2016. As animações também tiveram destaque entre os filmes estrangeiros. O filme com maior público do ano foi a animação Meu Malvado Favorito 3, com 9 milhões de espectadores.

Já entre as obras nacionais, o filme de maior bilheteria foi Minha mãe é uma peça 2, com 5,2 milhões. O longa foi lançado ainda no fim de 2016. No ano passado, o cinema registrou também um número inédito de lançamentos de documentários (60 títulos, contra 44 em 2016), e de filmes de animação, com um total de sete, contra apenas um no ano anterior.

Parque exibidor
Com todas as salas de cinema em funcionamento no país já digitalizadas, o parque exibidor brasileiro encerrou 2017 com dados expressivos. São 3.220 salas de exibição, número que se aproxima do recorde de 1975 (3.276 salas).

Foram 35 complexos inaugurados, que totalizaram 107 novas salas. Outros três foram reabertos e dez ampliaram seu número de telas, totalizando 125 salas. A Região Sudeste foi a que mais recebeu novas salas, representando 28,8% das aberturas, reaberturas e ampliações. Logo em seguida, vieram as regiões Nordeste e Sul, com 27,2% cada. A Região Norte liderou a taxa de crescimento de novas salas, com 7,1%, seguida pelas regiões Sul, com 6,2%, e Nordeste, com 4,7% de crescimento em relação a 2016.
Edição: Davi Oliveira
 

domingo, 31 de dezembro de 2017

Viva o Rio de Janeiro!



Presidente da Riotur celebra recordes do réveillon carioca: "a crise nos ajudou"
  • 31/12/2017 18h34
  • Rio de Janeiro
Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil


Praia de Copacabana fica lotada no último dia antes do réveillonTânia Rêgo/Agência Brasil

Se depender das expectativas da prefeitura do Rio de Janeiro, a praia de Copacabana sediará nesta noite (31) o réveillon dos recordes. São esperadas 3 milhões de pessoas e a queima de fogos terá a inédita duração de 17 minutos. De acordo com Marcelo Alves, presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), a taxa média de ocupação dos hotéis já é de 97%. Ele avalia que o contexto econômico contribuiu para que esses números inéditos fossem alcançados.

Saiba Mais
"A crise nos ajudou. A crise sempre tem um lado bom. O brasileiro deixou de ir para fora, deixou de passar o réveillon em outras localidades e veio para o Rio de Janeiro. Está aí esta lotação em todos os hotéis, com overbooking [número de reservas superior ao de quartos] em alguns. São 94 desembarques de navios no Rio de Janeiro. Ontem tivemos 12 mil turistas chegando somente de navio", informou.

Marcelo Alves disse que a prefeitura já havia diagnosticado que os brasileiros teriam dificuldade financeira para viajar ao exterior e, por essa razão, realizou um trabalho de comunicação focado nos moradores do país. Segundo ele, cerca de 80% dos turistas que vieram ao Rio de Janeiro são brasileiros e, destes, a maioria é proveniente dos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Para o presidente da Riotur, outro fator que colabora para o alcance dos recordes é o crescimento da rede hoteleira. "Quando você tem uma capacidade de hospedagem que triplicou em comparação com o período anterior à Olimpíada de 2016, a expectativa é de lotação na praia".

O réveillon de Copacabana terá shows de Frejat, Cidade Negra, Alex Cohen, Belo, Ana Petkovic, DJs Tucho e Luis Henrique e as escolas de samba campeãs de 2017, Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel. Escolhida como atração principal, Anitta subirá ao palco após o espetáculo pirotécnico que ocorrerá à 0h. "Quando nós começamos a conversar sobre o réveillon eu solicitei que tivéssemos um artista internacional. E nada mais justo que fosse a nossa artista internacional, a Anitta, que está ganhando o mundo com sua alegria e sua espontaneidade", disse Marcelo Alves.

De acordo com estimativas da Riotur, o turismo de réveillon deve injetar R$2,2 bilhões na economia carioca. A virada de ano também será celebrada em outros oito pontos da cidade e a praia de Copacabana está sediando uma semana de eventos. Na sexta-feira (29), um baile-show da Orquestra Tabajara deu início às celebrações. E no próximo sábado (6), um encontro de todas as escolas de samba do Grupo Especial com a Orquestra Sinfônica da Petrobras encerrará a programação. A expectativa da prefeitura é que a união de ritmistas forme a maior bateria, garantindo assim mais um registro no Guinness, o Livro dos Recordes.
Edição: Lidia Neves


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Lamentamos. Como nação, para onde vamos?



Sem salário, funcionários do Theatro Municipal fazem protesto artístico no Rio
  • 31/10/2017 17h36
  • Brasília
Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil


Orquestra sinfônica faz apresentação de protesto em frente ao Theatro MunicipalTomaz Silva/Agência Brasil 



Com um repertório variado, que foi do clássico ao samba, o coro, o balé e a orquestra sinfônica do Theatro Municipal mobilizaram centenas de pessoas hoje (31), em um protesto artístico contra o atraso dos salários dos funcionários da instituição. A situação atinge tanto os artistas quanto os funcionários técnicos e administrativos. Eles alegam que não receberam o salário de setembro, não tiveram qualquer sinalização de que receberão o de outubro e também aguardam o 13º do ano passado.


Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro tem cerca de 550 funcionários. Atualmente, é vinculado à Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e sofre os impactos da crise financeira que atinge o governo estadual. No dia 9 de maio, os funcionários já haviam realizado uma manifestação semelhante. Na ocasião, conseguiram receber os salários devidos de 2017. Mas o 13º de 2016 continuou pendente e os pagamentos dos meses seguintes voltaram a atrasar.

Por outro lado, a Escola de Dança Maria Olenewa, sediada no Theatro Municipal, não foi atingida pela crise. Atualmente, seus recursos são garantidos pela Associação de Amigos da Escola de Dança Maria Olenewa (Amadança), uma entidade sem fins lucrativos criada em 1985, que gere as atividades usando recursos obtidos com a contribuição mensal dos alunos, doações e bilheteria de apresentações.

O ato de hoje foi realizado na escadaria do Theatro Municipal e se encerrou ao som da música Apesar de Você, de Chico Buarque, cantada com a participação do público.

"Os funcionários querem trabalhar. o Theatro Municipal só continuou com as portas abertas durante todo este ano porque os funcionários se nagaram a cruzar os braços. Esta casa é uma responsabilidade cultural do Poder Público. As pessoas pagam impostos para ter cultura a sua disposição. Esta não é uma casa para dar lucro, para render dinheiro. É um teatro para retornar às pessoas aquilo que elas já pagam diariamente", afirmou o violinista Ayran Nicodemo, presidente da Associação da Orquestra do Theatro Municipal.

Tereza Cristina Ubirajara é bailarina do Theatro Municipal há 36 anos. Hoje ela não dança mais, porém integra cenas como personagem. Para Tereza Cristina, além do impacto financeiro resultante do atraso dos salários, os artistas sofrem com o abalo psicológico. "Exercemos profissões em que não podemos errar. Você não pode subir ao palco atordoado com seus problemas particulares, sem foco no que está fazendo. Precisamos de ter o mínimo de estabilidade emocional e psíquica. Mas essa situação é desumana", desabafou a bailarina.
Tereza Cristina ressaltou que esta é a maior crise que vivenciou em sua longa carreira na instituição. "Nossa luta é para dançar, cantar e tocar. Este é o teatro mais tradicional do nosso país. E nós, artistas, estudamos e nos aperfeiçoamos até na véspera da aposentadoria. O que queremos é exercer nossa profissão, aplicar os nossos conhecimentos."

Espetáculo cancelado

Corpo de baile, que cancelou nova temporada do Lago dos Cisnes, participa do protestoTomaz Silva/Agência Brasil

Diante da situação, foi cancelada a nova temporada do famoso espetáculo romântico de balé O Lago dos Cisnes. Cerca de 6,5 mil ingresso já haviam sido vendidos para as apresentações, que deveriam ter começado no último dia 29 e iriam até 8 de novembro.

"É o balé mais difícil do repertório clássico. E, para que seja executado, os bailarinos precisam estar em sua alta performance. Com os salários atrasados, muitos não conseguem vir diariamente para ensaiar", disse Pedro Ismael Olivero, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Públicas da Ação Cultural do Estado do Rio de Janeiro (Sintac) e também da Associação do Corpo Coral do Theatro.

Segundo Pedro, além de atrasar os salários, o governo estadual não tem honrado compromissos com o custeio da instituição. "O teatro hoje é mantido pela verba de bilheteria. Há mais de dois anos, o governo estadual não repassa o que deveria. A produção é feita através de verbas captadas pela Lei Rouanet [Lei Federal 8.313/1991]. Antigamente, o governo do Rio de Janeiro garantia cerca de R$ 14 milhões apenas para produção. Isso nos anos 1990 e 2000. Agora isso não existe mais. E para custear a manutenção também não está chegando nada", afirmou.

Pendências

Atraso de salários não diz respeito apenas aos funcionários do Municipal, diz a SefazTomaz Silva/Agência Brasil

A Agência Brasil tentou, sem sucesso, contato com a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Por sua vez, a Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz) informou, em nota, que os servidores ativos do Theatro Municipal receberam integralmente, no dia 6 deste mês, os salários de agosto. "No que diz respeito a setembro, estão pendentes os pagamentos para um total de 474 funcionários ativos, cujo valor líquido soma R$ 2,019 milhões."

A Sefaz admite um atraso de 18 dias corridos, por considerar que o salário de setembro deveria ter sido quitado até 13 de outubro, e que deve o 13º salário de 2016. "O atraso não diz respeito exclusivamente aos servidores do Theatro Municipal, mas a diversas secretarias e órgãos do Estado. Esse atraso não resulta de desimportância atribuída pela administração estadual ao Theatro, mas sim da falta de recursos disponíveis em caixa. Os salários serão pagos o mais rapidamente possível, de acordo com a disponibilidade de recursos", diz a nota.

De acordo com a Sefaz, a crise do Rio de Janeiro foi provocada pela depressão econômica que assolou todo o país a partir do início de 2015, sendo amplificada pela queda do preço do barril de petróleo e pela redução dos investimentos da Petrobras. Sediada no estado, a Petrobras esfriou suas atividades em consequência do avanço das investigações da Operação Lava Jato, na qual a Polícia Federal investiga esquemas de propina envolvendo a estatal.

"No último dia 5 de setembro, foi homologada a adesão do governo do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal, que possibilitará o reequilíbrio fiscal e financeiro do Rio de Janeiro", acrescenta a Sefaz. De acordo com a secretaria, será possível agora fazer um empréstimo de R$ 2,9 bilhões e colocar em dia todos os salários dos servidores estaduais.
Edição: Nádia Franco