terça-feira, 17 de outubro de 2017

Nossa língua



Entra no ar novo site do Museu da Língua Portuguesa

  • 17/10/2017 15h45
  • São Paulo
Marli Moreira – Repórter da Agência Brasil





 Sediado na Estação da Luz, museu foi atingido por incêndio em 2015Bombeiros do Estado de São Paulo


Entrou no ar hoje (17) o novo site do Museu da Língua Portuguesa (MLP) em que estão disponibilizadas as informações sobre a reconstrução de sua sede, no prédio histórico da Estação da Luz, na região central da cidade. O prédio foi destruída por um incêndio em dezembro de 2015.

Na página do museu na internet, o navegador também pode resgatar dados sobre parte das principais exposições promovidas ao longo de sua história e ainda acessar a programação das atividades que passaram a ser itinerantes.

Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, responsável pelo MLP, as novidades estão agrupadas em três seções principais: reconstrução, memória e educativo. Em nota, a secretaria justificou que a intenção é “manter viva a conexão entre o museu e seu público durante o período de reconstrução, por meio da presença digital e também da realização de atividades off-line”.

Restauração
A previsão de reabertura do museu é junho de 2019. Neste mês estão sendo concluídos os trabalhos de restauração da fachada e das esquadrias e, ao longo dos próximos 10 meses, serão desenvolvidas obras na cobertura. Para seguir o projeto original da edificação, conforme determinação legal, foram recuperadas madeiras com mais de 70 anos, uma tarefa desempenhada por uma equipe de restauradores, auxiliares de restauro, mestres de carpintaria e mestres estucadores.

Nessa missão, os profissionais tomaram por base modelos registrados no início do século 20. Até uma marcenaria foi instalada no local para refazer ou restaurar mais de 300 esquadrias. Algumas peças de peroba do campo rosa e amarela, parcialmente carbonizada, puderam ser reaproveitadas.

De acordo com a administração do museu, a reconstrução segue as diretrizes de sustentabilidade necessárias para a obtenção do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design),com projeção de reduzir o consumo de energia; efetuar a coleta de água de chuva para irrigação, além de um sistema de controle dos resíduos durante a obra e o uso de madeira certificada. A reforma está orçada em R$ 65 milhões e parte dos gastos (R$ 36 milhões) vinda do setor privado.

Linha do tempo
O site traz ainda informações sobre as atividades que têm ocorrido, paralelamente, à essa reconstrução como a comemoração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, na Estação da Luz; a participação na 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e na 18ª edição da Bienal Internacional do Livro Rio.

Memória
Também estão na página informações sobre algumas das grandes mostras promovidas na sede do museu ao longo dos 10 anos de visitação pública (de 2006 a 2015). A instituição é a primeira no mundo a se dedicar a um idioma,o português, inovando no conceito de associar a tecnologia e educação, em um ambiente de museu.

Nesse período, quatro milhões de pessoas passaram pelo local e, no total, ocorreram 34 exposições temporárias.Entre elas estão O Francês no Brasil em Todos os Sentidos,que aborda a adoção de nomes e costumes no cotidiano dos brasileiros; Grande Sertão Veredas, em alusão à obra do médico e escritor, Guimarães Rosa e as que homenagearam Machado de Assis, Gilberto Freire e Clarice Lispector.

Educando
Na seção educativa, são encontradas três áreas, uma delas a biblioteca, com artigos sobre a língua portuguesa; educação em museus com textos sobre práticas educativas em museus brasileiros e cadernos educativos, abordando as exposições temporárias.

O site está adaptado para atender também pessoas com alguma deficiência como cegos, pessoas com baixa visão, deficiência auditiva, deficiência motora ou mobilidade reduzida, deficiência intelectual e pessoas com idade avançada.

Festival de Rua
De 19 a 21 deste mês, o Museu da Língua Portuguesa promove o 2º Festival de Rua Que Bom Retiro, com atividades culturais no saguão da Estação da Luz, de quinta-feira a sábado . Como parte das atividades, do dia 18 até o dia 21, em vários locais da região vão ser realizadas mais de 40 atividades, todas de acesso gratuito, incluindo jogos, cinema, oficinas e sarau.

No saguão da Estação da Luz, estão previstos jogos que vão mostrar a influência de imigrantes e dos povos indígenas na construção da língua portuguesa. Entre as atividades, está o quebra-cabeças “piquenique de palavras”.
Edição: Nádia Franco
 


sábado, 16 de setembro de 2017

E que luta, essa da minha gente



Luta por igualdade social é tema da Festa da Literatura Negra em São Paulo
  • 16/09/2017 09h10
  • São Paulo
Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil







A atriz Zezé Motta será homenageada na 5ª FinkSampaDivulgação/Ministério da Saúde

A luta por igualdade social será um dos principais temas da 5ª Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra (FlinkSampa), de 16 a 18 de novembro, na capital paulista. O evento, que cuja programação foi lançada terça-feira (12), é  promovido pela Faculdade Zumbi dos Palmares e pela organização não governamental Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio-Cultural (Afrobras). Além dos encontros com escritores nacionais e internacionais, o festival terá contação de histórias, festival de curtas-metragens e um palco de samba.

Outro destaque da festa será o intercâmbio com autores de países africanos que falam português. “Eu acho que é o momento de ressaltar a necessidade de sermos lidos lá, de eles conhecerem os nossos autores e vice-versa, de uma interação mais produtiva, de uma expansão dessa identidade para além das fronteiras nacionais. Criar uma comunidade mesmo de países de língua portuguesa”, afirma a curadora Guiomar de Grammont. Entre os convidados estão o ensaísta Francisco Noa, de Moçambique, e o escritor Filinto Elíseo, de Cabo Verde.

A proposta de trazer temas atuais, como as relações da violência urbana e a desigualdade social é, segundo Guiomar, catalizar essas discussões na sociedade. “A Flink acorda a sociedade civil, levanta questões que iluminam a consciência em busca de um Brasil mais igualitário, da retomada das pautas que são essenciais para a população negra, que é maioria populacional, mas minoria de acesso”, enfatizou Guiomar, que assim definiu o mote da mostra: “eu quero liberdade”.

Temas sociais
A Flink deste ano homenageará a atriz Zezé Motta, que interpretou Xica da Silva no cinema, e o romancista e roteirista Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, que inspirou o filme de mesmo nome.

Com Zezé, Paulo Lins e outros convidados, como o escritor Ferrez e o pesquisador Luiz Eduardo Soares, o festival pretende falar sobre temas ligados à situação da população negra no país. “Sobre as comunidades, sobre [o filme] Cidade de Deus, sobre essas realidades que estão apontadas ali: de exclusão e violência. E como a cultura e a educação podem ser as nossas armas para lidar com essas questões, para fazer com que o mundo se transforme”, ressalta Guiomar, ao falar sobre as possibilidades de discussão que a programação da Flink pretende abrir.

“Nós estamos lutando ainda para ter igualdade social e racial. A gente sabe que o Brasil é o país que mata mais negros no mundo, sempre matou. A gente sabe da guerra da escravidão. A gente sabe que hoje o negro ainda está no escalão baixo da sociedade: a guerra continua”, acrescenta Paulo Lins, ao comentar a posição social da população negra e a importância de uma produção cultural vinda desse lugar para a sociedade brasileira.

Para o escritor, a conquista de espaços como a Flink e o crescimento do número de artistas são frutos da luta social ao longo das últimas décadas. “Autores negros existem desde que o Brasil é Brasil. Mas, agora, com a luta que sempre existiu e vai continuar, muita gente negra está na literatura.”

Na opinião de Lins, as artes são uma forma de enfrentar a violência do racismo e disputar espaço na sociedade. “A cultura é amor, paz, reflexão, inteligência. E a gente quer igualdade social. Quando a gente faz isso, a gente fala que é uma luta, mas não é uma luta armada. Merecia uma luta armada, mas o amor é melhor. Então, a gente fazendo cultura é uma forma de dar um beijo para acabar com essa guerra”, concluiu.
A programação completa da FlinkSampa pode ser vista na página do evento.
Edição: Nádia Franco