sábado, 6 de outubro de 2018

Cordon Bleu


Escola de gastronomia Le Cordon Bleu é inaugurada no Rio
Dez alunos de baixa renda da rede pública ganharam bolsa de estudos
Publicado em 04/10/2018 - 12:56
Por Jéssica Antunes* Rio de Janeiro





A conceituada escola francesa de gastronomia Le Cordon Bleu inaugurou hoje (4) sua unidade no Rio de Janeiro. A sede carioca de dois andares fica em Botafogo, na zona sul, conta com seis cozinhas profissionais e um restaurante de aplicação. Presente em países como Inglaterra, Japão e Estados Unidos, a Le Cordon Bleu Rio é a segunda unidade no Brasil. A primeira foi inaugurada em São Paulo, em maio deste ano.

A grande novidade dessa unidade foi a oferta de dez bolsas de estudos integrais a alunos de baixa renda da rede pública estadual. A ação foi uma parceria entre a escola e o governo do Rio, por meio da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

“É um somatório de forças que vai possibilitar aos jovens que vão estudar aqui uma oportunidade única. É um curso que é caro para qualquer padrão do mundo e eles terão essa experiência gratuitamente. Vão sair chefes renomados, podendo até ensinar para outras pessoas”, reforçou o governador Luiz Fernando Pezão.

Os bolsistas foram avaliados por meio de provas objetivas de português, matemática e de um teste de aptidão técnica aplicado pelo instituto. Os aprovados já foram selecionados e iniciaram as aulas no curso Diplôme Cordotec, com 12 meses de duração. Para não bolsistas, o mesmo curso custa cerca de R$ 40 mil.

Aluno
Para Phelipe Ferreira, morador da comunidade de Manguinhos, zona norte do Rio, a bolsa na escola francesa é a realização de um sonho. “Eu sempre li sobre a Le Cordon Bleu, mas nunca imaginei que ela viria para o Brasil. Estar aqui hoje é me sentir realizado porque finalmente eu estou estudando onde eu sempre sonhei”, destaca o bacharel em gastronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para 2019, a Faetec e a Le Cordon Bleu estão preparando um novo edital que será lançado ainda este mês. A seleção escolherá mais bolsistas da escola pública que desejam realizar o curso de gastronomia no ano que vem.


*Estagiária sob supervisão de Vitor Abdala
Edição: Lílian Beraldo

domingo, 9 de setembro de 2018

Índios brasileiros







Únicas peças do acervo índígena do Museu Nacional estão em Brasília
As peças estão em exposição no Memorial dos Povos Indígenas
Publicado em 08/09/2018 - 12:00
Por Agência Brasil Brasília





As únicas peças que restaram de coleção do acervo antropológico do Museu Nacional do Rio de Janeiro estão em exposição, em Brasília, até o dia 16 de dezembro. A exposição Índios: Os Primeiros Brasileiros, em exibição no Memorial dos Povos Indígenas, reúne, segundo o curador da mostra João Pacheco, a única coleção restante do acervo antropológico de mais de 40 mil peças do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, consumido pelo incêndio de domingo passado (2). O incêndio destruiu a maior parte do seu acervo de 20 milhões de peças.

As peças não se perderam porque já estavam em exposição desde o dia 29 de agosto no Memorial dos Povos Indígenas. Entre os itens expostos, há uma série de imagens dos raríssimos Mantos Tupinambás e um conjunto de praiás (vestimentas rituais) do povo indígena Pankararu, maracás, arcos e flechas, cocares, todos de povos indígenas do Nordeste, como os Xucuru, Kiriri, Tupinambá e Fulniô.

 Exposição Índios: Os Primeiros Brasileiros, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília - Valter Campanato/Agência Brasil

O professor de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e curador da exposição João Pacheco comemora a sorte em ter os objetos integrando uma mostra fora do Rio. “Se o material não estivesse nessa exposição, provavelmente teria sido destruído também com o restante da coleção. É o que resta de memória das atividades antropológicas do Museu Nacional", disse.

Pacheco disse que a coleção em exposição foi reunida por ele dentro de um projeto de pesquisa. “O aspecto muito triste é que essa é a única coleção que restou de todo o acervo do Museu Nacional. Todo material foi destruído, todo nosso acervo. Quarenta mil peças de todos os povos indígenas do Brasil, peças de mais de 100 anos, recolhidas por viajantes no tempo do Brasil Império, peças mais recentes, material do Brasil, África e Oceania. Material arqueológico muito precioso também foi perdido”, destacou.

Segundo o professor, algumas peças que não vieram para Brasília ficaram guardadas em um galpão anexo ao museu. “Essas peças também se salvaram”, disse.

 Exposição Índios: Os Primeiros Brasileiros, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília - Valter Campanato/Agência Brasil

Entre as peças em exposição, Pacheco destaca os praiás, que representam seres encantados para os índios Pankararu. “Os seres encantados ocupam essas regiões e vêm para participar das festas dos indígenas. São figuras referenciais para a vida dos Pankararu. Eles usam como usamos o crucifixo. É um elemento de proteção do corpo e da vida de cada um dos indígenas Pankararus”, explicou.

As imagens e documentos expostos permitem que o público viaje pela história do Brasil e dos povos indígenas. A maior parte do acervo traz registros sobre os povos da Região Nordeste e retrata a colonização, as narrativas indígenas e os desafios atuais.

A exposição já foi vista por um público estimado em mais de 230 mil visitantes de seis cidades: Recife, 2006 e 2007; Fortaleza, 2008; Rio de Janeiro, 2010; Córdoba-Argentina, 2013; Natal, 2014; e Salvador, 2016-2017.

Serviço:
Horários de visitação : aberto para visitação de 29 de agosto a 16 de dezembro, de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 17h. Sábados e domingos das 10h às 17h.
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Edição: Fernando Fraga

domingo, 29 de julho de 2018

Sonho em ver o FLIP



Polícia Civil investiga denúncia de racismo durante a Flip

Publicado em 29/07/2018 - 15:12

Por Vinícius Lisboa - Enviado especial* Paraty (RJ)






A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu nesse sábado (28) um processo de investigação para apurar uma denúncia de discriminação racial contra uma trabalhadora de uma das casas da programação parceira da Festa Literária Internacional de Paraty. O caso foi levado pela vítima à delegacia, mas, segundo a corporação, o delegado titular da 167ª Delegacia de Polícia (Paraty) registrou a ocorrência como fato atípico. O termo significa que a ocorrência não está tipificada criminalmente.

"Segundo o delegado titular, foi realizado um registro de ocorrência de fato atípico, visto que, segundo a autoridade policial, não ficou vislumbrado de plano [no momento do registro de ocorrência] a existência de dolo subjetivo e vontade de injuriar", diz nota enviada pela assessoria de imprensa da Polícia Civil, que acrescentou que "o caso segue sendo investigado".



O jornal O Globo noticiou na sexta-feira que Sara Cristina Trajano da Silva,  funcionária da editora Patuá, denunciou ter sido discriminada pelo diretor da editora da PUC-SP (Educ), José Luiz Goldfarb. Ambos participavam da programação da Casa do Desejo, espaço parceiro da programação principal.

De acordo com a reportagem, Sara conta que Goldfarb disse que "era por causa de pessoas da cor dela que o mundo estava assim". O jornal carioca também ouviu o editor, que negou ter dito a frase preconceituosa e afirmou ter criticado o autoritarismo de pessoas progressistas.

Em nota, a Flip se posicionou repudiando "todo e qualquer ato de violência, racismo e discriminação". "Diante do fato, [a Flip] recomendou aos organizadores da Casa do Desejo que peçam substituição do representante da editora PUC-SP em seu espaço. A organização da festa literária seguirá no acompanhamento do caso nos próximos dias", completa a nota.

A Casa do Desejo também se manifestou por meio de nota e disse estar dando todo o apoio à colaboradora "que foi desrespeitada enquanto trabalhava para que o evento pudesse acontecer", narra o texto. "Racismo é um crime que precisamos combater e estar sempre vigilantes".

*O repórter viajou a convite da EDP, empresa patrocinadora da Flip 

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Edição: Juliana Andrade


sábado, 30 de junho de 2018

Comida global


Festival reúne gastronomia e cultura de refugiados no Rio

Publicado em 23/06/2018 - 17:37

Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* Rio de Janeiro





Com comidas típicas, performances, artesanato e oficinas, refugiados que vivem no Rio de Janeiro celebraram a cultura de seus países no Rio Refugia, festival gastronômico, cultural e social em sua segunda edição na cidade. Neste ano, o evento foi organizado no Sesc Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro.

Comidas típicas de países como Haiti, Síria, Congo, Venezuela, Índia, Nigéria e Camarões estavam à venda em barracas. O público formou filas para provar iguarias como o as típicas arepas dos venezuelanos, principais solicitantes de refúgio no Brasil, em 2017, ao lado de cubanos e haitianos.

Entre os refugiados da África, o Brasil também recebe oriundos do Senegal, como Amina Nangob, que vive no Rio de Janeiro há seis anos. No evento, ela vendia roupas e acessórios de estilo africano.     

"Eu vim para trabalhar e tentar uma vida melhor do que eu tinha lá. Estou trabalhando muito", disse, sorridente, enquanto atendia clientes em sua barraca. Para Amina, a troca cultural é sempre positiva. "Cada um tem a sua vida, mas eu acho que, às vezes, a gente pode compartilhar as experiências com outras pessoas para melhorarmos".

A assistente social Suelen Felix terminou a graduação com um trabalho sobre refugiados e foi ao festival manter a troca cultural que recomenda que todos busquem: "Acho importante os brasileiros se aproximarem dos refugiados e dos imigrantes. Se a gente olhar a formação do povo brasileiro, tem uma mistura", lembrou Suelen, que acredita que essa é uma forma de combater preconceitos como o racismo que persiste na cultura brasileira

Suelen transformou a experiência em programa de sábado com o namorado, o designer gráfico Guilherme Lopes. "Tudo que tem um viés mais humanitário, a gente gosta muito. E a gente é da umbanda, então, estávamos comprando coisas relativas aos orixás", disse o designer. 

*Colaborou a repórter Tâmara Freire, das Rádios EBC

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Edição: Maria Claudia


sexta-feira, 15 de junho de 2018

É triste demais


Campanha marca o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

Por Jonas Valente e Andreia Verdélio – Repórteres da Agência Brasil Brasília







Hoje (12), no Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) lança a campanha Não proteger a infância é condenar o futuro, uma parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O foco são as modalidades chamadas de "piores formas" de trabalho, como tarefas relacionadas à agricultura, atividades domésticas, tráfico de drogas, exploração sexual e trabalho informal urbano. Em razão dos riscos e prejuízos, o emprego de meninos e meninas nessas tarefas é proibido até os 18 anos.

Nas demais situações, o trabalho é permitido a partir dos 16 anos, sendo possível também a partir dos 14 anos caso ocorra na função de aprendiz.

De acordo com a assessora do fórum, Tânia Dornellas, mais de 2 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos trabalham no Brasil. “Qual o futuro que essas crianças vão ter? Uma criança que trabalha não tem a mesma concentração e energia que precisa para estudar. Só o fato de o Estado não garantir educação pública de qualidade para todos já é uma agressão. Quando aliado à iniciação precoce ao trabalho, você condena essas crianças”, afirmou.

A consequência é a falta de competência e qualificação necessárias para inserção no mercado de trabalho e, provavelmente, aposentadoria precoce devido às sequelas adquiridas, ligadas às atividades de risco.


No Brasil, nos últimos 10 anos, 236 crianças morreram em atividades perigosas - Arquivo/Agência Brasil

Houve aumento, nos últimos anos, no número de crianças de 5 a 9 anos trabalhando na agricultura, uma das piores formas de trabalho infantil, segundo Tânia Dornellas. “Embora o número absoluto de trabalho infantil seja no meio urbano. Do ponto de vista relativo, nas áreas rurais há menor concentração, mas é onde elas mais trabalham”, disse.

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostra que, em 2015, havia 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. 

O objetivo da campanha é chamar a atenção de órgãos públicos, empresas, organizações civis e da sociedade em geral para o problema e fomentar ações que contribuam para o combate a prática, especialmente as de maior impacto para meninos e meninas. As ações da campanha ocorrem de forma descentralizada em vários locais do país.

Dados

Brasil não cumpriu o compromisso da Convenção 182,T da OIT, de erradicar todas as piores formas de trabalho infantil até 2016. O compromisso foi revisto e a meta agora é de erradicar todas as formas da prática até 2025, conforme preveem os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. “Dificilmente vamos atingir a meta”, disse a assessora. "O Estado precisa se voltar para um projeto político que privilegie a inclusão social e reforce a educação de qualidade."

“O que percebemos,nos últimos anos, com a crise política e econômica em que o país entrou, foi um impacto, em toda a sociedade, sobretudo nas famílias em vulnerabilidade social. E uma das causas para o trabalho infantil é a desigualdade social e a pobreza. Mas o que temos visto, com o próprio redirecionamento das políticas públicas, é um enfoque maior no resgate econômico do que na inclusão social”, afirmou.

De acordo com o Sistema Nacional de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde, foram registradas 236 mortes de meninos e meninas em atividades perigosas entre 2007 e 2017. O sistema recebeu, no mesmo período, notificações de 40 mil acidentes de pessoas de 5 a 17 anos. Deste total, mais de 24 mil foram graves, resultando em fraturas ou membros amputados.

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Edição: Maria Claudia