sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Artistas vencedores



Pianista brasileira leva Grammy de melhor álbum na categoria jazz latino
  • 16/02/2016 09h19
  • Estados Unidos
José Romildo – Correspondente da Agência Brasil







A brasileira Eliane Elias levou o Grammy pelo disco Made in Brazil, escolhido o melhor álbum na categoria Jazz Latino Imagem arquivo pessoal/Daniel Azoulay


A pianista e cantora brasileira Eliane Elias ganhou o Grammy com o álbum Made in Brazil, considerado o melhor na categoria jazz latino. Lançado em 31 de março de 2015, o álbum é o 24º da artista – primeiro gravado no Brasil – que se mudou para os Estados Unidos em 1981.

“Estou tão feliz de compartilhar com vocês, meus queridos amigos, que Made in Brazil acabou de ganhar o Grammy de melhor álbum latino de jazz do ano. Obrigado por todo apoio “, disse a artista em sua conta no Facebook. Eliane estava no Brasil, durante a cerimônia, e foi representada por sua filha Amanda.


Taylor Swift com os prêmios de melhor videoclipe, melhor álbum de vocal pop e álbum do ano, no 58º Grammy, em Los AngelesMike Nelson/Agência Lusa

Já a cantora pop Taylor Swift foi a grande vencedora da 58ª edição do Grammy, em Los Angeles. O disco 1989 foi eleito o álbum do ano dos Estados Unidos e, com o prêmio, a artista se torna a primeira mulher a vencer o principal prêmio do evento por duas vezes – em 2010, com o álbum Fearless. O disco 1989 álbum já vendeu seis milhões de cópias nos Estados Unidos.

O Grammy 2016 foi marcado por homenagens a lendas musicais que faleceram recentemente. Lady Gaga fez uma apresentação em homenagem ao artista de rock David Bowie, morto em janeiro deste ano, enquanto Jackson Browne prestou homenagem ao ex-integrante da banda Eagles Glenn Frey, que morreu há menos de um mês.
A canção Uptown Funk, de Mark Ronson, com Bruno Mars nos vocais, foi eleita a gravação do ano. Ed Sheeran ganhou o prêmio na categoria de canção do ano com a música Thinking Out Loud. O prêmio parece ter surpreendido o cantor: "Meus pais vêm me assistir todo ano e toda vez eu perco”, disse.

O cantor de hip hop Kendrick Lamar recebeu 11 indicações ao Grammy – uma a menos que o recorde de Michael Jackson, em 1984 com o álbum Thriller. Ele levou o prêmio de melhor álbum de rap com a obra To Pimp a Butterfly, que já vendeu 800 mil cópias no mercado norte-americano.
 
Edição: Denise Griesinger

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Bethania, Mangueira



Com a quadra lotada, Mangueira comemora vitória no carnaval
  • 10/02/2016 19h23
  • Rio de Janeiro
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

 Mangueirenses comemoram na quadra da escola o título de campeã no carnaval de 2016 do Grupo Especial do Rio Tomaz Silva/Agência Brasil


A quadra lotada da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, no bairro do mesmo nome, na zona norte do Rio, é a prova da alegria que tomou conta dos moradores da comunidade com a vitória no carnaval deste ano.
Saiba Mais
A escola foi campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro com 269,8 pontos. Com o enredo Maria Bethânia - a menina dos olhos de Oyá, a Mangueira homenageou a cantora baiana Maria Bethânia na segunda-feira (8), no Sambódromo da Sapucaí.
Este é o 18° título da escola, que ganhou pela última vez em 2002.
O carnavalesco Leandro Vieira, que estreou na Mangueira este ano, disse que fazer o carnaval da escola era um sonho que ele não imaginava há dois anos. “Imagina ser campeão. Hoje caiu a ficha: eu sou o carnavalesco da Mangueira”. Vieira disse que já tem algumas ideias para o enredo de 2017, mas não quis adiantar nada por enquanto.
Frequentadora da Mangueira há muitos anos, a contadora Érica Viana vibrou com a vitória de sua escola do coração. “Eu estava confiante que ela ia ganhar. O samba estava muito bom e o enredo também”.
Quem comemorou também foi o gaúcho Raul Oliveira, que vem ao Rio todos os anos para torcer pela Mangueira. “Depois de um jejum de 14 anos, o título é ainda melhor”, disse. 

Edição: Luana Lourenço

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O homem que caiu na terra - David Bowie



Como Bowie transformou sua própria morte em uma obra-prima da ficção científica
Escrito por Brian Merchant
14 January 2016 // 06:12 PM CET








Para David Bowie, morrer não é o bastante. Ele transformou sua própria morte em um espetáculo que nos obriga a refletir sobre o derradeiro fim.

Bowie morreu há quatro dias, tempo suficiente para que as lembranças e homenagens sumissem de nossos feeds. Talvez seja a hora de voltar para nossa triste realidade que envolve Donald Trump, o ISIS, polícias repressoras e milícias. Talvez.

Mas não consegui evitar mais uma vez pensando no cantor. Talvez porque sua própria existência seja um antídoto para a monotonia incômoda do cotidiano. Ou talvez porque sua morte tenha sido, no fim das contas, uma de suas melhores performances.

Bowie vivia, respirava — e morreu mergulhado na — ficção científica. Para ser mais específico, o que ele fazia era ficção especulativa. O artista se inspirava em fantasia, ficção científica e todo tipo de informação alienígena para criar suas personas. No entanto, todas essas fantasias tinham como objetivo transformar o mundo em um lugar que aceitasse quem — e como — ele queria ser. Não consigo pensar em nenhuma outra pessoa capaz de alterar o mundo dessa forma, capaz de manipular o poder da performance a seu bel-prazer e suscitar evoluções sociais e culturais por onde passa.

Do seu primeiro hit, "Space Oddity", passando pelo revolucionário álbum no qual ele apresentou Ziggy Stardust ao mundo, e terminando com seu ato final como Lázaro em Blackstar, seu álbum de despedida, Bowie não interpretou sua visão pessoal de ficção científica. Ele estava vivendo-a. Até o último segundo.

Três dias antes de sua morte, Bowie lançou o clipe de "Lazarus", parte do épico de ficção científica “Blackstar” no qual ele percorre um mundo de astronautas mortos, espantalhos mutantes e velas eternas. O clipe mostra um homem, interpretado por Bowie, levitando em seu leito de morte. 


Ao assistir “Blackstar", é impossível considerar o crânio de astronauta cravejado de diamantes — o derradeiro fim do Major Tom, talvez — como pertencendo a outro que não o próprio Bowie.



Bowie sabia que, enquanto milhões de pessoas o veriam flutuando em uma cama de hospital, ele provavelmente estaria deitado em uma. Mesmo durante sua própria morte, ele usou a linguagem da ficção científica para nos instigar a pensar sobre nossa própria mortalidade. Muito apropriado para um homem que usou esse mesmo método para nos inquietar durante toda sua carreira, seja falando sobre convenções de gênero ou sobre a internet. Um homem que transformou a música pop em um instrumento por meio do qual fosse possível pensar e dançar ao som do futuro.

Muitos fãs reagiram à sua morte com elogios à sua androginia e às suas performances corajosamente eróticas, que teriam aberto as portas para o atual movimento genderqueer. “Bowie usava sua perfomance de gênero pouco convencional para questionar a visão do homem cisgênero e másculo tida pelo grande público", escreveu Christina Cauterucci, colunista do Slater. “A erótica estrela do rock, que mexia com a libido de homens e mulheres, fossem eles gays ou héteros, criou um espaço onde seus fãs poderiam explorar a multiplicidade da presença, da vitalidade e do desejo."

Quando Bowie apareceu vestido como Ziggy Stardust em Top of the Pops, um programa assistido por 14 milhões de pessoas numa época em que o mundo parecia muito menor, o impacto foi meteórico. Bowie ajudou a fundar um mundo onde adotar uma identidade de gênero não-tradicional não era apenas aceitável, e sim desejado. A importância da ficção científica em sua obra se perde em muitos desses comentários, mas não podemos esquecer que ela é um ponto crucial — afinal, foi ela que guiou toda sua arte rumo ao futuro. 


A ficção científica estava começando a invadir o cinema quando Space Oddity e Ziggy Stardust nasceram, no final dos anos 60 e no começo dos anos 70, respectivamente. No entanto, o mundo nunca tinha visto um deus do rock alienígena, muito menos um que dançasse ao som de óperas pop. (É bom lembrar que toda essa mitologia não foi criada apenas para justificar o uso de maquiagem no palco ou performances chocantes — tudo isso fazia parte de uma série de narrativas intrincadas envolvendo um apocalipse vindouro, uma raça alienígena chamada de "infinitos" e algo misterioso chamado trampolim de buraco negro). Sua mídia de escolha, a música, permitiu que Bowie explorasse assuntos tabu como a bissexualidade do jeito que só ele sabia— não é de se espantar que os excluídos da sociedade tenham se apaixonado pelo alienígena do rock. Além disso, ele transformou a ficção científica em algo legal, popular e perigoso, algo nunca feito antes.

Bowie nunca desistiu. Ao longo dos anos, ele adotou outros alter-egos alienígenas, entre eles Aladdin Sane e Thin White Duke. Em 1976, ele se tornou O Homem Que Caiu na Terra — literalmente um alien entre humanos. Mesmo depois de seus anos de glória, ele continuou a ousa e se envolveu em projetos como a criação de video games distópicos, o desenvolvimento de seu próprio navegador, a BowieNet, e a criação de programas que usavam tecnologias dos primórdios da internet. Enquanto Bowie criava o futuro, a cultura pop tentava alcançá-lo.

Assim, sua morte — e a obra de arte extremamente elaborada associada à ela— deixou todos em choque. Uma frase comum nos últimos dias foi: "achei que Bowie viveria para sempre".


 Roqueiros inabaláveis ficaram sem palavras. Há alguns dias, Steve Jones, ex-guitarrista do Sex Pistols, e Dave Ghrohl, do Foo Fighters, participaram da última edição de Jonesy's Jukebox, um programa de rádio. Durante aquela hora, o que ouvi foi ao mesmo tempo fascinante e desconcertante. Ambos passaram longos minutos totalmente mudos, ocasionalmente repetindo histórias sobre seus encontros com Bowie e discutindo teorias sobre a vida após a morte. (“Acredito numa energia que liga todos nós", disse Grohl, propondo que todos nascemos do Big Bang e que nos uniremos mais uma vez após a morte. "Eu não quero morrer", respondeu Jones).

Bowie também não queria. Blackstar (estrela negra, em português), é um termo utilizado para denominar um tipo de lesão cancerígena. Isso deixa claro que Bowie transformou o agente de sua própria morte em um último épico da ficção científica. É claro que ele usaria sua rica linguagem para nos trazer uma última visão da morte, ambiciosa e auto-referencial.

Esse "último álbum foi uma despedida cuidadosamente planejada", confirmou seu produtor. Suas músicas (e a peça off-Broadway que acompanha o álbum) falam sobre a morte e foram escritas para um público que buscaria consolo em suas obras após sua morte. A primeira frase de "Lazarus" é “Look up here, I'm in heaven.” ("Olhe para cá, eu estou no céu").

Assim, em vez de pensar num homem moribundo, nós escutamos suas palavras, vemos ele levitar, assistimos à sua última grande visão. Nesse momento, nós nos juntamos a ele.

É possível interpretar os corpos jovens e estranhos do clipe de "BlackStar" como a nova geração de excluídos, curvando-se sob o peso de sua própria alienação e encontrando esperança em um livro chamado BlackStar. Esse livro contêm o futuro, e a última profecia de Bowie diz que alguns de nós (ou todos) darão um passo à frente e lerão suas últimas palavras:

Something happened on the day he died
Spirit rose a metre and stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried
(I’m a blackstar, I’m a blackstar)
Tradução: Ananda Pieratti


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